sábado, 30 de junho de 2012


Confesso minha falta em deixar de escrever para este Blog (bem, se escrevo minha vida por aqui, estou em falta com minha própria vida!); sinto-me indesculpável perante mim mesmo. A impressão que tenho, após vários dias escrevendo um dia-a-dia corriqueiro e ordinário, do trabalho pra casa, de casa para a academia, o centro budista ou cinemas, é de que isso tudo que ordinariamente me ocorre não é tão trivial assim. Não é misticismo nem auto-ajuda barata não: existe realmente algo de indescritivelmente especial e único em cada momento, a cada hora do dia. Mesmo nas segundas-feiras ao ter que levantar de má-vontade, fora de hora, para ir obrigatoriamente ao trabalho para iniciar mais uma semana “longa, penosa e sem significado”, conforme tenho acreditado para mim mesmo há anos sem conta. Se alguém estiver lendo algo disso tudo aqui, agora acho que já posso afirmar categoricamente: registrar pequenas minudências e pensamentos esparsos que nos ocorrem no decorrer do tempo, é uma forma eficiente de percebermos que nenhuma vida é realmente irrelevante ou ordinária, muito menos desprovida de importância e significado. É tudo tão simples: Basta escrever o que aconteceu, o que pensou ou sentiu, a forma como enxergou... E, no dia seguinte, dar uma lida com calma. Numa analogia, posso dizer que é algo que se assemelha ao ato de ler um livro mais de uma vez: ao lermos pela primeira vez, experimentamos sentimentos, sensações e percepções próprias e coerentes com o nosso “eu interior” em que nos configuramos naquele momento específico. Quando lemos pela segunda ou terceira vez podemos depreender diferentes nuances e um brilho especial que curiosamente não nos ocorreram num primeiro momento. O mesmo ocorre quando vemos um filme mais de uma vez; e ocorre também quando contemplamos nossa própria experiência de vida a partir do prisma de um outro dia.
Sobre esta semana em geral, na segunda-feira fiz dois treinos seguidos, ou seja, treinei das sete até às dez da noite. Foi bastante exaustivo como se poderia esperar, mas meu condicionamento físico está num bom nível, e me senti muito gratificado em poder praticar minha arte marcial com tanta dedicação e empenho naquela noite de segunda-feira: bom para o corpo, a mente e a alma. Não fui ao curso de formação de programadores, cujas últimas aulas seriam na terça e na quinta. Não existe uma prova de avaliação final, e tendo em conta que minhas ausências foram reduzidas ao longo de todo o curso, não dei grande importância ao fato de ter faltado estes dois últimos dias. Obviamente continuarei a me dedicar aos estudos de computação/programação, especialmente por meio das ótimas videoaulas que adquiri online. Quanto à formação superior em Análise e Desenvolvimento de Sistemas, fica programado o ingresso para o início do ano que vem, conforme eu já havia estabelecido.
Na quinta-feira comemoração do aniversário do meu colega Osmar L., bem como do oficial de justiça R. Simões. Muitos salgados, refrigerantes e um bolo de aniversário bem feito e saboroso. Na sexta (ontem), nova comemoração: festa junina do pessoal do cartório ao lado do meu. Fomos todos convidados eu e meus colegas, havia toda uma variedade de comidas juninas diferentes, sendo uma mesa muito mais rica do que a do meu próprio cartório há dias atrás. Eu e meus colegas ficamos lá tomando quentão, comendo, conversando ou tomando vinho quente após as três da tarde até o fim do expediente. Praticamente não trabalhamos na sexta-feira; é claro que percebemos certa “cara feia” dos nossos chefes em relação a isso ao final do expediente. Porém, atribuímos isso mais a certo "ciúme" por parte desses chefes do que por causa do trabalho propriamente dito: os chefes e colegas do setor ao lado organizaram uma confraternização muito mais exuberante e apresentável do que a nossa própria. Após o expediente – ou após a festa! - fui tomar umas cervejas com minha colega Tania (lotada no setor que promoveu a festa hoje). Conversamos bastante sobre assuntos diversos; trabalho, família, processos, juízes, chefes e outras picuinhas e banalidades do funcionalismo público. Acompanhei-a até a estação do metrô e caminhei de volta a casa. Não fui ao kung-fu hoje conforme havia planejado, pois o “espírito de bebida e festa” acabou dando o tom para o dia inteiro hoje. Amanhã (sábado) retomarei de consciência limpa meu esforço marcial na academia.

segunda-feira, 25 de junho de 2012


Domingo, 24 de junho de 2012.
Fui ao centro de meditação e estudos budistas hoje pela manhã. A prática começa sempre às nove e meia de domingo e estende-se até ao meio-dia: é realmente um tempo muito saudável de reflexão, meditação e estudo dos ensinamentos milenares do pensamento budista. O que chama a atenção no Budismo pra mim, mais do que em qualquer outra religião, é que seu fundador Siddharta Gautama (ou Buda), ao ministrar seus ensinamentos aos discípulos, exortava-os primeiramente a “não acreditarem” em nada do que ele dizia. Deviam, antes, experimentar e testar os ensinamentos em sua vivência no dia-a-dia; caso percebessem que as palavras de Buda faziam sentido e traziam algo positivo, então que as observassem. Se, pelo contrário, fizessem o teste e não notassem nenhum benefício em praticar estes ensinamentos, então que os abandonassem. O atual Dalai Lama, representante mor da religião budista no mundo (a grosso modo, uma espécie de “Papa” do Budismo), exorta no mesmo sentido: se a doutrina budista faz sentido pra você e produz algo positivo na prática, então continue a praticá-la. Caso contrário, simplesmente desconsidere o Budismo. Ora, essa particularidade me impressiona numa religião, pois nenhum outro líder religioso na história que eu tenha conhecimento expôs sua própria doutrina desta maneira, ou seja, deixando a critério de seus ouvintes o julgamento de acatar ou não sua pregação, depois de tê-la experimentado em suas próprias práticas cotidianas. Nisso, com certeza Buda se destaca do Cristianismo (onde fui criado), Judaísmo, Islamismo ou qualquer outra religião que eu tenha notícia, dado que todos os líderes destas religiões sempre propagaram sua mensagem da seguinte forma: “O que eu prego a vocês é a verdade única e não há outra. Ou vocês creem e seguem o que eu prego, ou Deus os punirá eternamente nas chamas do inferno”. De minha parte, tenho procurado aprender sobre o ensinamento budista e aplicá-lo no dia-a-dia, e tenho percebido que minha visão das coisas tem aumentado muito em lucidez, moderação e equilíbrio. Para mim, Buda não é nenhum um Deus (assim como não o é para os budistas).
Saindo do centro budista, voltei pra casa e peguei a carteira (que lá tinha esquecido – com dinheiro, cartões etc.), e subi a Eugênio de Lima até a panificadora Arcadas para comer um delicioso beirute de churrasco regado a coca-cola com limão e gelo. Este seria meu “almoço” de hoje. Subi até à Paulista, ao shopping com lojas de chineses (produtos piratas, é verdade... Aqui ou acolá algum produto original, mas tudo sempre muito barato). Comprei dois pen-drives de 16 GB cada, além de uma extensão para o teclado (pretendo utilizar meu computador a partir do sofá, já que o monitor dele é a tela de TV de 42” na estante). Caminhando pra casa, minha mãe me ligou e avisou que havia chegado de São Carlos, convidando-me para uma visita e para uma refeição. Revi meus pais e jantei. Minha mãe sempre melancólica, relembrava o assunto do meu irmão em São Carlos que largou o emprego e só não abandonou a faculdade ainda por um triz, tudo isso devido a uma persistente crise de depressão que já dura anos. Segundo ela me disse, descobriu nesta última viagem que este irmão tentou suicídio por duas vezes. Bem, eu pessoalmente duvido que ele tenha, de fato, pretendido se matar. Creio que alguém que queira pôr fim à sua própria vida o faz de forma secreta e eficiente, de modo a não ser surpreendido pela esposa à pia do banheiro com a porta aberta, misturando acetona com medicamentos. Mesmo assim, não descarto a possibilidade de o suicídio ser um risco real, dado o grau elevadíssimo da crise depressiva do meu irmão.
Voltando pra casa assisti ao filme Farenheit 451 de Truffault. Excelente clássico cult de 1966 que eu ainda não tinha assistido. O filme foi um dos que me a procuradora federal me emprestou, no trabalho. Confesso que tenho pensado muito nela nos últimos dias, em especial neste final de semana. Acho que posso dizer que uma mulher me chama a atenção pelos filmes que sabe apreciar... Em meu caso, não é exagerado afirmar isso.

Um adendo à postagem sobre o dia de sábado que acabei por omitir: ao voltar para casa, de volta do shopping Light (onde procurava por uma pepelaria), passei próximo ao edifício Joelma no centro da cidade. Este prédio sofreu um incêndio completo em 1974 e houve muitas vítimas fatais. Hoje, muitas pessoas que trabalham por lá ou que passam pelas cercanias alegam visões de fantasmas ou vultos, audição de vozes e gritos etc. Pessoalmente, já passei inúmeras vezes próximo ao Joelma e nunca vi nem ouvi nada: talvez os fantasmas se sintam intimidados diante de minha atitude cética em relação a quase tudo na vida. Perigo mais real, mesmo, são gangues de trombadinhas e desocupados que às vezes podem estar à espreita de potenciais vítimas à noite por aquelas redondezas. Em todo caso, tirei uma foto do Joelma para postar abaixo (seguida de uma foto tirada praticamente do mesmo ângulo por ocasião do incêndio de 1974).


Foto tirada por mim no sábado por volta das sete da noite (não há fantasmas na foto)



Em 1974, o incêndio que matou tragicamente dezenas de pessoas


domingo, 24 de junho de 2012


Sábado, 23 de junho de 2012.
Despertei às nove para ir à academia, mas terminei por me arremessar de volta à cama numa atitude de total desistência do treino de hoje - treino sabatino geralmente árduo, suado e por demais extenuante (aprecio isso tudo, é claro; mas nesta manhã sábado definitivamente não!). Levantei de vez só depois do meio-dia, sem qualquer resquício de perda ou culpa por ter me permitido esse descanso “imprevisto” de hoje.
Resolvi tomar minhas três latas de Valentins Weissbier no período da tarde, assistindo a documentários ou noticiários do History ou da CNN pela televisão (é muito raro que eu assista qualquer coisa na televisão – mas para acompanhar minha cerveja especial, digamos que eu achei necessário ter alguma “companhia”).
Ainda durante a tarde fiz uma boa rearrumação em minha estante da sala: meus DVD’s, CD’s, documentos e livros estavam realmente desorganizados na estante, dando a impressão de ter sido violada e revirada às pressas por um ladrão. Obviamente que meu apartamento ainda está consideravelmente deixando a desejar em termos de limpeza e organização, mas ao menos a estante na sala já apresenta bom aspecto – é sempre necessário começar por algum lugar, afinal. Catei muitos documentos antigos como conta de energia, comprovantes de pagamento de salário, faturas de cartão de crédito e talões de cheque de dez anos atrás; todos eles sem qualquer utilidade hoje.
Despejei tudo num saco plástico, mas tive receio de lançar no lixo tanta documentação contendo dados a meu respeito (endereço, local de trabalho, rendimentos etc.) Pensei em comprar uma máquina de picotar papel, e foi atrás disso que me empenhei ao fim da tarde deste sábado. Fui ao shopping Light próximo ao Teatro Municipal de São Paulo, onde sempre soube que havia uma famosa papelaria, grande e sortida em equipamentos para papel. A caminho do shopping, captei esta bela imagem do pôr-do-sol na rua da Abolição, numa região de casarões antigos habitados por pessoas da classe média baixa. Apesar da aparência do tamanho, são casarões de uma rua modesta, habitados por gente singela, honesta e batalhadora. Mas o espetáculo da abóbada celeste ao pôr-do-sol com todas as nuances de cores e tonalidades ao fim do dia (que minha máquina nem de longe consegue captar...), é um  espetáculo para toda essa gente humilde também.



Não encontrei a tal papelaria quando finalmente cheguei ao shopping Light; um guarda de segurança me informou que não havia mais esta loja naquele centro comercial há muito tempo. Tomei meu caminho de volta, pensando em como me livrar eficientemente de tanta documentação velha e inútil dentro de casa.

sábado, 23 de junho de 2012

Hoje é sábado, dia 23 de junho de 2012.

Mas na quarta-feira tive um dia normal no trabalho pelo que me lembre, sem nada digno de nota. À noite fui à academia e treinei das sete da noite até às oito e meia. Há um novo aluno - novo em termos, pois ele já foi aluno do Prof. Marco na academia anterior, anos atrás. É um homem maduro, calvo e um pouco fora de forma, mas aparentemente tem um bom conhecimento e treino prévio na arte marcial. Fiquei feliz em ver que chegam novos alunos à academia, e no caso deste em particular, tudo indica ter mais idade que eu. Não que fosse realmente causa de grande incômodo para mim a condição de ser o aluno mais velho do Marco, mas confesso meu contentamento ao ver que alunos mais maduros estão chegando ao nosso grupo. Saindo da academia e a caminho de casa, vi na vitrine de um mercadinho na Nestor que havia algumas cervejas importadas à venda. Entrei e comprei duas marcas européias: uma da Dinamarca cujo nome não recordo, e outra chamada Valentins Weissbier. Cada lata com 500ml de bebida, comprei uma de cada tipo (custavam cerca de R$ 10,00 cada uma, ou 5 USD). Tomei as duas cervejas frente à tela da televisão (que só tem me servido de monitor para o computador, na realidade), enquanto acessava facebook ou teclava com alguém pelo messenger. Aproveitei para usar, pela primeira vez, minha caneca da Paulaner que ganhei no domingo retrasado como brinde da Braugarten. Não vi nenhum diferencial na cerveja dinamarquesa em relação às brasileiras - a não ser o preço muito mais caro, achei que tinha jogado meu dinheiro fora nessa compra. Para minha alegria, logo ao despejar a Valentins na mesma caneca, percebi que sua coloração e consistência pareciam muito com a da Paulaner; ao apreciá-la, foi com alegria que também achei seu sabor bastante similar ao daquela cerveja que tanto gostei.

Meu irmão Paulo, que há muito tempo não faz uma ligação pra mim, ligou-me hoje de noite. Disse-me que sua esposa quer apresentar-me uma garota, professora da filhinha deles. Na mesma oportunidade, fez suas críticas ao meu modo de vida solitário, sem mulheres e sem participação num círculo social em que pudesse encontrar alguma mulher para casar; disse-me também que, em sua opinião, meu grande problema é não ter comprado um carro até agora - ou seja, que é preciso ter um carro para aumentar minhas chances de conhecer mais mulheres, e quem sabe assim vir a encontrar a "mulher certa". Expliquei a ele que, em primeiro lugar, não estou necessariamente em busca de casamento - busco apenas viver minha vida com simplicidade dia após dia, planejando alguma viagem, vendo meus filmes, estudando algo novo e sempre aprendendo coisas diferentes. Expliquei ainda que não estou simplesmente à procura de "uma mulher", mas que experimentaria grande alegria caso encontrasse "a mulher": alguém que tenha afinidades verdadeiras comigo, meus valores e modo de pensar e ver a realidade. Meu irmão retrucou que, se eu continuar pensando assim, nunca na vida vou encontrar uma mulher para ficar ao meu lado. Reiterei que não me interessa "uma mulher", mas sim "a mulher". Talvez eu seja idealista ou perfeccionista demais, porém já atingi maturidade suficiente para saber que não vale a pena abrir mão de meus momentos solitários, porém gratificantes à minha maneira, pela companhia de alguém que simplesmente não me acrescente em nada. Meu irmão continuou insistindo que eu estava errado em pensar assim, mas é essa a opinião dele. Confesso que entristeceu-me um pouco o fato de que ele não tenha feito um pequeno esforço para enxergar minha forma de ver as coisas - tão diferente da dele -, antes de julgar isso ou aquilo no meu modo de pensar e viver. Bem, mas o jeito é encarar a realidade de que, se existe uma razão pela qual estou neste mundo, com certeza não é para ser compreendido. Sem lamúrias nem sentimentalismo piegas: isso é real, e  não vou lamentar.

Na quinta-feira tive outro sem nada digno de registro sobre o trabalho. Foi dia de aula na Globalcode, mas decidi não ir. Vim direto pra casa e apenas deixei o tempo passar inutilmente - se é que reservar um tempo para si mesmo é estar sendo inútil...


Sexta-feira, dia 22 de junho. Deixei o ambiente de trabalho por volta das 13:20 e fui à podóloga, na Brigadeiro (há uma dor bem ao lado do dedão direito que me incomoda faz tempo - sempre atribuí este desconforto a algum problema nos calçados, mas percebi que não é possível que todos os meus sapatos sejam ruins; além disso, por que razão não ocorre o mesmo com o dedão do pé esquerdo?).
A podóloga fez o corte de unhas, raspagem etc., o que era preciso fazer. Não sei se apenas impressão ou não, mas senti que o desconforto dolorido foi amenizado ou eliminado de vez. Dirigi-me ao dentista em seguida. Voltei ao trabalho somente quase às cinco da tarde, e alegrei-me ao saber que os computadores estavam sem sistema. Quando isso ocorre, praticamente nenhum advogado ou interessado comparece ao balcão, e passamos o tempo ora conversando, ora procurando algo não urgente para fazer. O fato é que a pressão do trabalho são deixados de lado, o que de vez em quando é muito bem-vindo - ainda mais em se falando de uma sexta-feira!



Um China in Box simples num bairro simples. Uma refeição simples.
Voltei pra casa, caminhando junto da estagiária Grabriele (que mora em meu mesmo bairro). Dormi um pouco ao chegar ao apartamento e resolvi dar uma saída para comer algo pela rua. Caminhei até à Nestor, no mercadinho onde vendem cerveja importada e comprei três latas da Valentin Weissbier. Antes de retornar a casa passei no China In Box aqui do bairro e comi uma refeição leve, acompanhada de suco de uva em lata. Novamente em casa, decidi assistir ao filme "Admirável Mundo Novo" que a procuradora federal me emprestou na terça-feira. Excelente produção de 1998, gostei muito da adaptação do livro. Mais uma vez voltei a pensar naquela mulher, com muita curiosidade e interesse em saber mais sobre ela. Quanto bom-gosto e amor pelas coisas belas...
Não cheguei a tomar minhas cervejas hoje; por enquanto ficarão bem guardadinhas na geladeira. Deixarei este prazer cervejeiro para amanhã (sábado).



quarta-feira, 20 de junho de 2012

Terça-feira, 19 de junho de 2012.
Li cerca de trinta e cinco páginas da apostila do curso de programação (internet, redes, TCP/IP). Assuntos complexos num contato à primeira vista, mas prossegui na leitura mesmo sem compreender quase nada. Parece que não estudei de verdade, senti que estava somente "vendo letras". Saí do trabalho às seis e meia, corri para a estação de metrô Sé (sempre lotada neste horário), e me apressei para chegar ao curso sem muito atraso. A chuva, apesar de não ser das fortes, era insistente a ponto de me encharcar as meias e os pés. Chegando à Globalcode, primeiramente me dirigi ao toalete a fim de tirar os sapatos e meias e secar os pés com papel toalha. Espremi as meias e consegui pingar fora delas algumas gotas de chuva; moldei uma camada de várias folhas de papel toalha em cada pé, colocando as meias e os sapatos por cima desta "esponja" improvisada. Todo esse procedimento fiz sentado sobre a tampa do vaso santário da escola; precisei gastar um bocado de papel até sentir que meus pés estavam finalmente secos.
A aula foi tão complicada quanto o estudo da apostila de hoje de manhã. Apesar de ter dado uma boa olhada na matéria com antecedência, as palavras do instrutor soavam para mim como se fossem grego. Aprender toda essa gama de conhecimentos e pormenores que compõem o vasto universo da informática é tarefa realmente árdua, que exige dedicação, trabalho mental e tempo de estudo. Porém isso não me desmotiva, pois percebo que minhas dificuldades são também as mesmas dificuldades de todos; nenhum de meus colegas na turma parecia ser "expert" no assunto, a coisa toda não estava realmente fácil pra ninguém.

Saí bastante exausto da aula, tomei o rumo do shopping Pátio Paulista e desci a Treze de Maio sob um leve chuvisco. Enquanto caminhava, acalentava meus projetos de aprender muito mais sobre computação até o fim deste ano, estudando web design (já tenho um curso completo em videoaulas), Java, redes etc. Obviamente que o caminho é por demais longo e trabalhoso, mas se creio em meu sonho, então ele deixa de ser simples sonho e passa a valer a pena. E para o ano que vem estou determinado, sim, a ingressar no curso de Tecnologia em Análise e Desenvolvimento de Sistemas; ensino superior a distância pela Unopar.
Decidi meditar por vinte minutos ao chegar em casa, em meu quarto, concentrando-me na chama de uma vela estilizada com ideogramas japoneses, presente de uma ex-namorada. Pela primeira vez consegui meditar com as pernas em posição completa de lótus. Foi um momento especial de silêncio e serenidade pra mim, algo que posso definir como uma boa solidão.
Tomei os habituais 2g de rivotril, fui para a cama e assisti no tablet a uma palestra do Lama Samten durante uns quinze minutos, antes de ser envolvido de vez por um sono arrebatador e tranquilo.

terça-feira, 19 de junho de 2012


Segunda-feira, 18 de junho de 2012.
Não levantei da cama com o mau-humor usual das manhãs de segunda-feira. Parece que estou aprendendo a lidar melhor com a passagem do meu tempo, tanto dos dias úteis quanto dos finais de semana. Já me martirizei por muitos anos com essa coisa de ter aversão à segunda-feira - cujo precedente sempre foi certa depressão ao final de domingo. Muito dessa forma construtiva e relativamente nova de enxergar o decorrer dos meus dias, creio eu, tenho interiorizado a partir da filosofia budista (não só budista, mas de toda tradição religiosa ou filosófica que valorize o bem-estar baseado na harmonia e simplicidade no olhar, e na alegria de viver o dia de hoje exatamente do jeito que ele é - sem exigências ou julgamentos irracionais e desnecessários).
À tarde tivemos nossa tradicional festa junina no ambiente de trabalho conforme ocorre quase todos os anos desde que fui lotado naquele cartório. Foi uma confraternização animada entre colegas, estando cada um encarregado de levar algo “junino” à festa: bolo de milho, quentão, cuscuz, pé-de-moleque etc. Levei duas ciabattas desta vez: uma de tomate seco e outra de queijo com azeitona. Foi mais um tempo descontraído entre os colegas no trabalho, em que todos comeram e riram bastante em companhia uns dos outros. Minha amiga Tania – que já trabalhou conosco e agora está lotada no cartório vizinho -, apesar de convidada insistentemente por todos, a muito custo decidiu comparecer encontro. A história é longa, mas há um passado de desentendimentos entre ela e a coordenadora, além do juiz titular (que por enquanto está noutra corte, indo hoje ao nosso cartório apenas por conta da tal festa). Ora, as brigas ocorreram pela greve de funcionários a que aderimos há dois anos atrás, só eu e a Tania de grevistas em nosso setor. Sofremos perseguições e assédio moral por parte dos nossos superiores após o movimento grevista, e tanto eu quanto ela tivemos que enfrentar inúmeras injustiças no trabalho, além de precisarmos “engolir muitos sapos”. Obviamente que ficamos bem magoados àquela época com as pessoas que fizeram isso conosco – eu, especialmente, estive à beira de um ataque de nervos ao longo de vários meses. Demos lugar a muito rancor e ódio, e nos deleitávamos em sair para barzinhos com finalidade praticamente exclusiva de maldizer nossos superiores que tanto nos assediaram (e que continuavam assediando...). Os meses e anos se passaram e fui esquecendo todo esse ressentimento – mais uma vez mencionando o budismo que conheci há cerca de um ano atrás, e que certamente trouxe influência decisiva pra mim nesse sentido. Ocorre que a Tania acabou pedindo transferência e foi relotada em outro cartório, bem ao lado de onde trabalho. Ou seja, os chefes que a assediaram não são mais chefes para ela; apenas eu permaneci sob o comando deles. Mas minha amiga parecia irredutível na decisão de recusar o convite, por sentir-se demasiadamente magoada ainda com pessoas pelo passado que já vai meio distante. Liguei pra ela à hora do almoço e disse-lhe que se não estivesse à vontade para ir, então tudo bem: melhor seria mesmo que não fosse. Mas ao mesmo tempo procurei orientá-la no sentido de que a raiva, o rancor, a indignação etc. (por justos que sejam), assim como tudo na vida, tem hora certa pra acontecer, tempo de duração, e tempo para acabar. Além disso nossos “inimigos”, por assim dizer, tinham seu próprio ponto de vista político sobre a greve, ponto de vista este que para eles era o mais correto. Claro que erraram (do meu ponto de vista e do da Tania), mas isso não justifica nutrirmos sentimentos destrutivos no peito pelo resto de uma vida. Ninguém está mais lembrando ou se importando desnecessariamente com o que aconteceu: nem a coordenadora, nem o juiz, nem os colegas, e nem eu que sofri as mesmas perseguições, talvez até mais ameaças se comparado a ela. Só que tudo isso já faz tempo, muito tempo. Disse-lhe então que não fosse, mas que eu lhe falaria como a uma irmã (que não tenho): “vive o dia de hoje, esquece o que já foi... Tenhamos raiva sim, iremo-nos na hora certa, mas que a negatividade não se perpetue indefinidamente. Como cristã, que reflita nas palavras de Cristo ao dizer ‘irai-vos, e não pequeis; não se ponha o sol sobre a vossa ira’”.
 Não sei se estou à altura de dar qualquer orientação útil a quem quer que seja – ainda mais eu, que me considero uma pessoa um tanto desorientada! -, mas senti real necessidade de fazer meu possível para ajudar esta colega tão querida a enxergar a própria vida com olhos melhores; seja isso com o trabalho, a família, os amigos etc. Fiquei realmente muito feliz quando depois a vi se juntando à nossa confraternização, um pouco deslocada é verdade, mas toda sorridente e com sua presença sempre alegre e simpática. Todos a receberam muito bem na festa e o espírito de camaradagem foi geral entre todo o grupo.
Não fui para o kung-fu à noite conforme costumo fazer às segundas-feiras. A enxaqueca ainda me importunava, optei por voltar pra casa e dormir um pouco – cerca de meia-hora. Levantei-me sem saber o que fazer, pensei em ir ao mercado comprar umas latas de cerveja para ficar tomando sozinho em casa (é raríssimo eu beber sozinho em casa, geralmente saio para beber sozinho em algum bar – se tenho que estar só, pelo menos gosto de ver movimento e de ouvir vozes enquanto tomo minha cerveja). Mas já eram cerca de dez e meia da noite e os botecos por aqui estavam fechando. Tomei uma na Miquelina e comprei duas latinhas para tomar sozinho em casa, enquanto acessava a net ou escrevia para este Blog.

segunda-feira, 18 de junho de 2012



Domingo, 17 de junho de 2012.




Às 9:45 da manhã eu cheguei ao centro de estudos budistas da Maestro Cardim -  bem próximo ao shopping Pátio Paulista. O facilitador César conduziu a prática de meditação – quarenta minutos no total, com pequena interrupção após os primeiros vinte minutos para eventuais acomodações posturais para os últimos vinte minutos de meditação. Terminado o período de silêncio, fomos para a apostila com ensinamentos de Prajnaparamita, onde estudamos sobre o caminho do praticante, a meditação e a liberdade de naturalmente nos movermos de uma paisagem mental para outra – facilidade esta da qual raramente nos damos conta, mas que pode ser eficientemente aplicada ao cotidiano mediante a regularidade da prática meditativa e focalização do momento presente. Senti-me grato em ter participado da prática e estudos de hoje de manhã, posto que os compromissos das últimas semanas tem sido um impeditivo real para minha frequência ao centro Budista. Certamente que nesta vida é sempre necessário encontrarmos tempo de parar, refletir, relaxar a mente e aprender sabedorias que nos conduzam por um caminho melhor.
Encerrado o tempo no Budismo, ao meio-dia, caminhei ao shopping ali próximo e pedi uma fatia de Pizza Hut acompanhada de Pepsi. Estou ciente que meu colesterol não se encontra em níveis ideais, mas tem sido difícil abrir mão de comidas mais gordurosas como lanches e pizzas aos finais de semana. Encerrada a refeição, pus-me a pé para casa onde dormi parte da tarde, na vã esperança que o sono pusesse fim à enxaqueca que me importuna desde ontem. Já tomei os remédios de praxe para dores de cabeça e voltei a tomá-los, sem sucesso – a dor de cabeça persiste por dois dias, um prolongamento que definitivamente não me é comum (tenho enxaquecas com certa frequência, mas normalmente elas somem logo após dois comprimidos de neosaldina).
No começo da noite caminhei até à Paulista pela Eugênio de Lima. Sentia-me um pouco entorpecido pelo propranolol que havia tomado antes de sair de casa, no intuito de melhorar da enxaqueca. Era como se a pressão sanguínea estivesse a ponto de estourar no cérebro; mal mexia o crânio para um lado ou outro e o interior da cabeça parecia explodir. Mas eu estava feliz por minha caminhada solitária noite adentro até à Paulista, imaginando que o dia de hoje estava sendo muito agradável. Eu poderia ter um rompimento de aneurisma no cérebro ou algo que o valesse, mas estaria morrendo num momento especialmente alegre da vida e, por isso mesmo, certamente no momento mais ideal. Assim, caminhava livre de todos os medos e tinha liberdade de olhar com afeição para todas as pessoas e coisas ao redor enquanto transitava, à noite, pela Eugênio acima.





Fui ao centro de compras Mont Mare, famoso por suas pequenas lojas de muambas e artigos de pirataria. Precisava comprar uma mídia com ao menos 11 GB de espaço para ter em mãos as gravações que fizemos das lutas do sábado de manhã. Não conseguindo encontrar o que procurava, resolvi ir ao cine Reserva Cultural onde comprei o ingresso para o filme Violeta foi para o Céu (a história da artista chilena Violeta Parra). Como levaria alguns minutos até iniciar a sessão, aproveitei para ligar para minha amiga Luciane a fim de saber sobre sua viagem ao Sul por conta do novo emprego. Ainda não havia partido, mas já fazia os preparativos para viajar naquele exato momento. O filme foi intenso como a própria personalidade de Violeta, e recheado de paixões pela vida e pela arte. Mais uma vez saí satisfeito do cine Reserva; realmente os filmes em cartaz são de excelente nível de qualidade – em geral, filmes premiados -, sem mencionar que o espaço é dos mais confortáveis, aprazíveis e aconchegantes.
Peguei a Brigadeiro e adentrei uma lanchonete na esquina com a São Carlos do Pinhal; comi um lanche de queijo branco e outro de churrasco com queijo, acompanhado de sucos de laranja e cenoura, e de maracujá.
Ainda era relativamente cedo pra mim (ou seja, por volta de meia-noite), mas resolvi tomar uma dose a mais do remédio para dormir – rivotril -, e assim conseguir uma noite longa e restauradora de sono. Meu objetivo é levantar da cama recuperado para enfrentar a segunda-feira, sem nenhuma dor no corpo e, principalmente, livre da maldita dor de cabeça.
Assisti a um vídeo com palestra do Lama Padma Samten pelo tablet, já deitado e à espera do sono, e adormeci em questão de poucos minutos. Encontrei paz e sossego num sono acolhedor ao fim de mais um dia.

domingo, 17 de junho de 2012


Sábado, 16 de junho de 2012.




Da esquerda para a direita: eu e Cadu (Prof. Marco filmando)
Levantei às nove e tomei meus “preparados” para mais um dia intenso de treino: o energético (fat burner com guaraná, cafeína etc.), creatina e aminoácidos, além de um copo de leite. Não teremos um treino regular hoje, mas sim prática de combate a que chamamos boxing. No boxing usamos luvas de MMA (com os dedos descobertos), podendo também ser luvas normais de boxe (que eu prefiro), caneleiras e capacetes de treino. Desde novembro do ano passado que não boxeio e confesso que a expectativa deste treino me fez um tanto ansioso, causando-me certa tensão também durante o próprio boxing – especialmente no início. Apenas três outros colegas compareceram: Romano, Cruz e Cadu. Eu havia levado minha câmera fotográfica para ajudar a filmar (cada um de nós levou sua própria câmera); posicionei-a na janela e no ângulo indicado pelo Marco. Os primeiros indicados pelo Professor para combater foram o Cadu e eu. Experimentei um grau de ansiedade a mais em saber que iria boxear com o Cadu, pois mesmo considerando-o bom amigo e sujeito de ótimo caráter – além de colega muito divertido e bem-humorado -, já o vira boxeando antes, e tive dele a impressão de se mostrar um pouco impulsivo e descontrolado durante as lutas. Esta seria a primeira vez que iríamos boxear entre nós. Fizemos dois períodos de luta, cada assalto com duração de dois minutos. Tudo correu muito bem e sem grandes surpresas ou imprevistos, a não ser que o Cadu atingiu-me acidentalmente com os dedos e unhas na região dos olhos, ou seja, por dentro do visor do meu capacete de proteção. Fiquei com uma marca cor de sangue ao lado do olho direito. O Prof. Marco percebeu isso quando retiramos os capacetes, dando no Cadu uma bronca por esse descuido cometido. Outras lutas se sucederam depois, cada um de nós combatendo um dos outros três colegas.  Senti que fui especialmente bem neste boxing: creio que não recebi tantos golpes como nos treinos anteriores e, mesmo que os recebesse, suportava-os bem e mantinha firmeza na postura e na atitude de boxeador. Além disso, encaixei um número maior de golpes nos oponentes se comparado às lutas anteriores que já fiz junto a este mesmo grupo de colegas. Após o treino, saímos todos satisfeitos pela prática marcial conduzida pelo Prof. Marco, sentíamo-nos gratificados por termos vivido um excelente momento de experiência de luta muito proveitoso a todos. Quando deixávamos a academia cheguei a pensar em convidar os colegas e o Professor para uma cerveja, a fim de merecidamente nos refrescarmos após tão árdua batalha e trocas de golpes. No entanto pareceu-me que cada um no grupo estava apressado por alguma razão particular sua (família, trabalho ou outros compromissos). Deixei a ideia da cerveja pra lá, despedi-me de todos e caminhei tranquilamente até meu apartamento.
À tarde fui à residência de meus pais, já que minha mãe acabara de me ligar por haver preparado um almoço. Logo ao me ver ficou impressionada com a marca vermelha (que começava a arroxear) próxima ao meu olho. “Este esporte é muito perigoso e, além disso, você deve estar sendo saco de pancadas na academia!”. Expliquei-lhe que não, que eu havia me saído bem nas lutas, e que inclusive tinha no pen-drive a gravação de um dos assaltos que fiz com o Cadu. Almocei, e mostrei-lhes na tela da TV este assalto. Eu e o Cadu estávamos de igual pra igual, sendo que me saí melhor que ele ao encaixar socos, e ele mais hábil que eu no uso dos chutes. Meus pais gostaram do vídeo, minha mãe logo mudou de humores quanto à minha prática esportiva e chegou a comentar: “é, você está realmente se saindo bem nessas lutas!”. 
Voltei pra casa e dormi durante a tarde por um período de três ou quatro horas. Foram duros os combates de hoje (como o são todos os combates), e o corpo começou a sentir grande exaustão e necessidade imediata de recuperação. Ao despertar no início da noite, resolvi que iria assistir a um filme no Cine Reserva, na Paulista, além de comer um hot dog muito calórico e repleto de colesterol ruim no Black Dog lá perto. A fome era grande e dirigi-me primeiramente ao Black Dog à cata da guloseima, mas deparei-me com uma enorme fila de pessoas aguardando junto ao caixa – fila bem maior que o comum naquele local. Abri mão temporariamente do hot dog e atravessei a Paulista até o Cine Reserva; notei que havia excelentes filmes em cartaz, sendo que eu não chegara num bom horário para as sessões.  Então desisti do filme e também do hot dog, ocorrendo-me a ideia de comer um beirute de churrasco na panificadora Arcadas, bem ali próximo na Brigadeiro. Uma dor de cabeça dos infernos me assolava; dor insistente que não se resolveu nem com os mais potentes analgésicos que eu havia tomado. Sentei-me ao lado de um grupo de pessoas que tomava cerveja e comia sanduíches, homens e mulheres junto a seus filhos pequenos. As crianças, em idade por volta de cinco ou seis anos, estavam por demais irrequietas e ruidosas, sendo que mudei para outro lugar tão logo meu lanche foi servido. Mesmo sentado a um balcão mais distante, o grito agudo dos pequenos parecia me causar severos espasmos de dor na cabeça, mais dolorosos que os diretos de direita recebidos de meus companheiros de academia em nosso combate matinal.
Minha mãe ligou-me novamente dizendo que fosse até eles para jantar, uma vez que estão se preparando para passar alguns dias em São Carlos e com previsão de viagem para amanhã (domingo) de manhã. Paguei meu lanche no caixa, dei graças a Deus por meus tímpanos se livrarem definitivamente dos insistentes gritos agudos daqueles meninos (falta de melhor instrução e acompanhamento da parte dos pais àqueles pequerruchos? Bem provável que sim). Passei no Extra Hipermercados em busca de um pufe onde possa colocar os pés enquanto assisto às minhas videoaulas, acesso a internet ou escrevo para este Blog frente à tela de TV. Sem pufes à venda no extra.  Desci a Brigadeiro rumo à casa dos meus pais.
Almocei e conversei normalmente com eles; parece que nosso convívio familiar voltou novamente a seu normal. Percebi que é importantíssimo que eu aprenda, com a maior urgência possível, que devo desistir de toda esperança que um dia eles me compreendam em questões mais profundas e significativas a meu respeito: a teologia, a espiritualidade, visão da vida e da realidade como um todo. Se eu desenvolver a habilidade de conversar com eles somente a partir do mundo deles e sem expectativas maiores quanto a isso, poderei manter o diálogo com meus pais até enquanto me for possível tê-los por perto. Devo ser realista, e aceitar o fato de que jamais poderei contar com meu pai e minha mãe como portos seguros, a quem possa confiar questões de significado mais profundo e importante dentro da minha realidade de vida. Acredito ter sido essa uma grande lição deste dia, juntamente com a perseverança, a coragem e o respeito desenvolvido junto a meus companheiros de boxing, a cada golpe trocado entre nós durante as lutas de hoje de manhã.

sexta-feira, 15 de junho de 2012

Sexta-feira (até que enfim!), 15 de junho de 2012.
Consegui despertar por volta das oito e meia da manhã relativamente bem-disposto e sem grande sonolência, condição que atribuo à dosagem de 10mg de ritalina que tomei ontem imediatamente antes de dormir. Estudei linguagem Java nas videoaulas baixadas da internet; tudo aqui mesmo pelo computador, nada de livros. Pessoalmente, sou da opinião de que livros didáticos ou manuais de instrução serão objetos do passado a habitar museus. Lembro-me de um assunto estudado na minha pós-graduação acerca das múltiplas formas de aprendizagem, de fixação de um conhecimento: podemos aprender através da leitura, da audição, da leitura combinada com audição, ou ainda por meios visuais. Hoje, sabe-se que o método visual é o mais rápido e eficaz ao aprendizado para a maioria absoluta dos seres humanos. Sou prova viva disso, ao constatar que aprendo bem mais rapidamente, e com mais eficiência, assistindo às videoaulas recheadas de exemplos, testes, exercícios e visualizações dinâmicas, do que consigo aprender através de um livro ou apostila com simples textos e gráficos (por mais perfeitamente ilustrado que esteja o material de leitura). Obviamente que nem só de livros didáticos e manuais vive a leitura, e a literatura viverá para sempre na forma do texto narrativo e poético; estando o saber filosófico e histórico eternizado na forma discursiva escrita já há muitos séculos. Em suma, quero dizer que não levará muito tempo até que livros de matemática ou física sejam extintos. Pelo menos é isso o que posso prever; e confesso que é isso o que desejo.
Voltando ao meu dia, estudei Java por cerca de meia hora ou mais durante a manhã. Fui trabalhar (sem atrasos hoje - a não ser os quinze minutos de tolerância, por certo), e tive um dia agradável no serviço. Sem advogados que criassem polêmica por causa de processos, prazos etc. Fui ao dentista à tarde, sendo que não houve tempo de fazer um almoço antes da hora marcada no consultório. O Dr. Vinicius fez o orçamento do serviço para reconstrução de um dente posterior no maxilar: R$ 800 (400 USD) para um material de resina da cor natural do dente, ou R$ 550 (275 USD) para um dente metálico, prateado. Esclareceu-me ainda que o dente de resina pode não ser tão resistente quanto o metálico, o que me levou a optar definitivamente pelo metal prateado (mais resistente, mais barato). Já que se trata de um dos dentes mais posteriores, o tom prateado estará praticamente invisível a qualquer interlocutor. Almocei após a consulta - somente por volta das quatro da tarde -, e voltei ao trabalho. No caminho de volta aproveitei a oportunidade de tirar uma foto do viaduto adjacente ao prédio onde trabalho. Há menos de um ano eu descia por ele quando percebi uma pequena aglomeração junto à grade lateral: embaixo jazia o corpo de um suicida estirado na calçada, coberto com tecido branco. Era possível ver que se tratava de um homem de médio porte, estando o tecido manchado de sangue à altura da cabeça, com algum sangue esparramado na calçada e proveniente, ao que parece, também da região do crânio. Perguntei sobre o ocorrido a uma vendedora de rua a meu lado, que também olhava curiosamente o morto. "Ele subiu na amurada e se atirou, simplesmente isso". Meses depois, descendo o mesmo viaduto em minha caminhada de volta para casa, defrontei-me com viaturas e pessoal da polícia militar e corpo de bombeiros, além de uma ambulância. Infiltrei-me novamente na aglomeração e descobri que se tratava de um suicídio tentado. Um homem baixo e atarracado de pele clara e cabelos escuros, sem camisa e vestindo apenas bermuda e calçando sandálias simples, estava cercado por policiais e conversava frente a frente com um dos militares mais próximos. O semblante do homem transparecia serenidade e alívio como o de quem acabara de resolver um grande problema; e da mesma forma parecia a expressão do militar com quem conversava.
Ao aproximar-me do meu lugar de trabalho, lembrei-me dessas histórias e resolvi tirar uma foto do viaduto só para postar neste Blog:



Trabalhei tranquilo até o fim do expediente, que prolonguei até às seis e meia (meu horário normal de saída é às seis da tarde). Encontrei minha amiga e colega de trabalho Tania na saída do prédio e fomos caminhando até à adega próxima, onde tomamos duas ou três taças de vinho tinto - tomei duas e ela três. Disse-me que vai a um "pagode" com o marido e algumas amigas amanhã à tarde e me convidou a comparecer neste encontro, dizendo-me ainda que estará presente uma amiga muito bonita a quem gostaria de me apresentar. Eu não neguei o convite com palavras exatas, mas com certeza expressei de outras formas minha indisposição quanto ao tal pagode. Tenho dois grandes motivos para não ir: primeiro que não gosto de pagode; e segundo, não me interessa romancear nenhuma mulher que goste de pagode. Terminado nosso vinho e nossa conversa, acompanhei a Tania até um ponto de ônibus nas proximidades e caminhei mais uns poucos minutos até chegar em casa.



quinta-feira, 14 de junho de 2012

Quinta-feira, 14 de junho de 2012.
Certo. Estou na última hora do mesmo dia que será tratado na presente postagem. Espero não me ter esquecido sobre a manhã de hoje também... Enfim, mãos à obra!
Ao despertar, dei uma olhada no material de estudo da escola de programadores e vi que o assunto a ser tratado ainda será sobre linguagem SQL e banco de dados. Obviamente, sei que este é um objeto de conhecimento fundamental a qualquer candidato a programador, mas sinto que tenho passado por dias demasiadamente desgastantes de tempos pra cá. Resolvi não estudar, decidindo também por não ir à aula na Globalcode no período da noite. Noutras palavras, sem planos de estudos para hoje. Preciso realmente descansar, e quanto ao conteúdo a ser estudado, tratarei de priorizá-lo em tempo oportuno e a meu próprio modo, tanto pelo material da escola quanto em pesquisas na internet ou videoaulas online. Nessa área, recursos é o que não falta quando se tem vontade. Estou com a consciência tranquila com relação a isso.
Fui trabalhar, chegando com uma hora de atraso (ou seja, marquei meu ponto somente às onze da manhã). Um dos meus chefes, o Leandro, comentou comigo que provavelmente o Dr. A. Suzuki (que atualmente substitui o juiz titular do cartório em que trabalhamos) passará a ser o juiz titular do nosso cartório. Este chefe estava claramente feliz em me dar tal notícia, e de minha parte também foi muito real o contentamento. O Dr. Suzuki parece ser uma pessoa muito cordial, igualitário no trato com todos os funcionários, além de um profissional muito responsável. Descendente de japoneses, ele transmite um semblante de serenidade e equilíbrio tanto no modo de falar quanto nas atitudes, demonstrando sempre total gentileza ao lidar com todos os que trabalham com ele. Há algumas semanas atrás, por exemplo, ele chegou ao balcão de atendimento do cartório e pôs ali um certo volume de processos. Eu não o conhecia e imediatamente pensei tratar-se de um advogado. "Pois não?", perguntei-lhe. "Boa tarde, você poderia fazer-me um favor, o de entregar estes processos à sua coordenadora?" - como esta não é uma pergunta normal a ser feita por um advogado, fiquei imediatamente confuso. "Entregar estes processos à coordenadora? Mas do que se trata?", retruquei. "São os processos da conclusão que eu já despachei, vim trazê-los aqui de volta pra vocês". Só então compreendi que se tratava do juiz substituto. "Ah sim, entendido. O senhor pode deixar tudo aqui, que já me encarrego de repassar os processos à coordenadora". - "Certo, muito obrigado por sua atenção, desejo-lhe uma boa tarde", finalizou ele com aquela gentileza que lhe é própria conforme mencionei. Com o tempo, descobri que o Dr. Suzuki é esposo de uma escrevente, tendo sido ele próprio também escrevente no passado. Pode parecer arbitrário dizer isso, mas trabalho há treze anos no tribunal de justiça e creio que posso afirmar: juízes não se casam com funcionárias, escreventes, auxiliares etc. No máximo tem casos; mas não casamentos - claro que há exceções em tudo, e nosso juiz substituto certamente retrata uma delas.
Enfim, senti o espírito leve e gratificado ao saber da possibilidade de o Dr. Suzuki passar a ser o chefe titular da seção em que trabalho.
Fiquei no cartório meia hora a mais para compensar parte do meu tempo de atraso.
Caminhei de volta pra casa e cumpri a promessa feita a mim mesmo pela manhã: não estudei!
Acessei o facebook, fiz postagens nessa rede social, escutei a rádio de blues clássico, esquentei e comi um enlatado de refeição com atum. Tive o prazer de teclar com meu amigo Nathan pelo chat do face; sendo que já trocamos vários e-mails sobre nossas experiências de vida religiosa e espiritual (nossas famílias são tipicamente evangélicas no mais alto grau do radicalismo religioso, enquanto que nós não cremos propriamente num deus, religião ou qualquer livro sagrado - ou seja, perante nossas famílias somos completos peixes-fora-d'água).

Missão cumprida. Termino no dia 14 de junho as anotações referentes ao próprio dia catorze.

Quarta-feira, 13 de junho de 2012.



Não consigo recordar, exatamente agora, a respeito da manhã da quarta-feira que passou. Como geralmente escrevo postagens para este Blog apenas no dia seguinte àquele que registro em minhas anotações, posso passar por certos "brancos" de memória e simplesmente tornar-me incapaz de relembrar circunstâncias ou ocorrências relevantes do dia anterior. Aliás, a maior motivação para minha iniciativa em escrever foi justamente essa, pelo menos a princípio: ter registros fidedignos dos fatos do dia em geral, de modo a me possibilitar certa orientação no caso de me defrontar com dúvidas acerca de algum acontecimento de meu cotidiano. Não são raras as vezes em que me pego pensando fixamente sobre algo que tenha ocorrido, tentando sem sucesso lembrar exatamente quando e como ocorreu. Este Blog pode se mostrar uma ferramenta realmente útil neste sentido, e já tive um exemplo bem claro disso: hoje (quinta-feira, dia 14), antes de ir para o trabalho, precisava recordar em que dia eu havia chegado ao trabalho com duas horas de atraso; estava em dúvida se havia sido na segunda ou se na terça. Trata-se de uma lembrança importante pra mim, pois tenho até três dias úteis para compensar atrasos a fim de não ter descontos no salário. Pois bem, usando este Blog como método de consulta, descobri que meu atraso foi na terça, o que confirmei positivamente hoje ao ligar meu computador no trabalho e acessar meu registro de frequências. Pois bem, daqui por diante comprometo-me a escrever sobre o andamento dos dias ao final dos respectivos dias, a partir de hoje. Evitei fazer isso até agora pelo receio de perder o sono após algum tempo regidindo durante a noite. Enfim, desafio aceito: realizarei agora duas postagens, uma referente a ontem (que não lembro direito) e mais uma do dia de hoje.
Continuando, sobre a quarta-feira (ao menos daquilo que lembro...): tive um dia normal de trabalho, sem nenhum tipo de ocorrência que mereça ser enfatizada - ao menos pelo que posso lembrar! Durante o período da manhã, ou seja, antes de partir para o trabalho, acredito que não tenha estudado nada do curso. À noite, academia. Tive um treino intenso de duas aulas seguidas, das sete às dez da noite. Talvez seja importante registrar que hoje paguei a mensalidade da academia, no valor de R$ 90 (aproximadamente 45 USD).
Fim desta postagem. Agora mesmo irei redigir as memórias do dia de hoje (são precisamente dez horas e cinquenta e três minutos da noite de 14 de junho de 2012).

13 de junho de 2012.
Estava com consulta médica marcada para as 8:45 nesta manhã; por isso ajustei o telefone para despertar às oito - quarenta e cinco minutos é tempo suficiente para levantar, tomar um banho e ir ao consultório médico. Quando o telefone tocou às oito permaneci inerte na cama, tomado pelo sono. A função "soneca" do aparelho disparava várias vezes, de cinco em cinco minutos, e apesar estar consciente dos toques que alertavam para meu compromisso, o sono entorpecia de maneira tal que eu me auto-indugênciava em permanecer deitado, sempre me permitindo desfrutar do estupor sonífero "por somente mais cinco minutos". Toda essa languidez foi certamente devida a não ter tomado pelo menos meio comprimido de ritalina, na noite de ontem, imediatamente antes de pegar no sono. Resultado: em determinado momento olhei para o display do celular e percebi que estava em cima da hora de meu horário de consulta. Saltei da cama, meti as pernas no primeiro jeans que me apareceu à vista no guarda-roupas, vesti uma camiseta e jaqueta qualquer e saí às pressas para a rua. Tive a sorte de encontrar um táxi disponível tão logo deixei meu prédio, e assim consegui chegar à clínica a tempo de não perder a consulta de retorno com o médico (ainda que quase quinze minutos atrasado). Após analisar cautelosamente meus exames de endoscopia digestiva, ultrassom e de sangue (bilirrubinas, hepatite, colesterol etc.), explicou-me que minha condição de saúde está perfeitamente dentro do padrão normal: fígado em ótimo estado de suas funções, assim como o estômago. Apenas minha taxa de colesterol se mostrava um pouco mais elevada que o normal - nada exagerado -, ao que o médico somente me recomendou dar mais atenção à qualidade de minha alimentação, dizendo-me enfim que não seria o caso de me receitar qualquer medicamento. Recomendou-me voltar a consultá-lo dentro um ano, se possível, apenas a título de prevenção ou acompanhamento. Agradeci-lhe o bom atendimento, desejei bom dia e deixei o consultório com um sorriso contente estampado em meu rosto.
Precisei passar apressadamente em casa a fim de preparar o material de treino para minha prática marcial programada para a noite: suplemento de aminoácidos, creatina e sinefrina, além da calça larga própria dos treinos e uma camiseta limpa.
No trabalho, apresentei à coordenadora o atestado de comparecimento fornecido pelo médico, para fins de regularização do meu atraso ao serviço neste dia.
O treinamento de hoje foi longo e exaustivo (pois decidi fazer duas aulas em sequência já que pretendo descansar na sexta em razão do boxing agendado na academia para sábado).

Caminhei de volta para meu apartamento no Bexiga fisicamente bastante exausto, como seria de se supor. Jantei na casa de meus pais já por volta da meia noite. Meus pais estavam sem assunto comigo, e eu, de minha parte, sem assunto com eles. Foi um jantar silencioso, deveras. As coisas que minha mãe disse domingo, numa repetição das mesmas coisas que ela menciona com frequência no sentido de comparar a mim e meus irmãos com os filhos dos outros, sei que ela não faz por mal - apenas não consegue enxergar; é um ser humano com capacidade de compreensão limitadíssima para muitos aspectos sobre como viver uma boa vida, e de saber lidar apropriadamente com os sentimentos de um filho. A pessoa que mais sofre em tais condições, disso tenho certeza, é ela própria. Às vezes pergunto-me se haveria algo que pudesse fazer no sentido de propiciar uma maior amplidão no nível de lucidez na maneira como meus pais enxergam as coisas. Se existe algum meio (e eu já tentei vários), com certeza ainda não descobri qual é. Hoje, percebo que não só sou incapaz de incutir-lhes o interesse por novas formas de interpretar a realidade, como também vejo que nem seja essa a minha missão.

quarta-feira, 13 de junho de 2012

Terça-feira, 12 de junho de 2012.
Sem muito para dizer sobre esta terça-feira de inverno paulistano. A única coisa de "muito" a respeito deste dia, é muito cansaço e esgotamento mental.
Levantei lá pelas sete e estudei o material do curso de lógica de programação referente à aula de hoje: banco de dados, manipulação de dados, Ansi-SQL. A princípio, da forma como exposto na apostila, não vi grandes complexidades nesse tópico de estudo em específico. Estudei por umas duas horas ou pouco mais que isso, calculo eu. Tive um dia bom no meu trabalho, ainda mais levando em conta que fui informado, em ligação ao setor de recursos humanos (SRH), de que disponho de sessenta dias de férias referentes aos anos de 2006, 2007 e 2010 para gozo oportuno. Minha ligação foi atendida por um funcionário do SRH bastante atencioso, prestativo e cordial - qualidades difíceis de se encontrar em funcionários daquele setor (aliás, difíceis de se encontrar em qualquer funcionário, de qualquer setor nas dependências daquele tribunal...).
Um momento interessante ao final da tarde foi quando precisei usar o banheiro e, para minha surpresa, o pôr-do-sol mostrava-se como um magnífico espetáculo sobre a cidade. Corri ao cartório, apanhei meu celular e voltei às pressas à grande janela do lavatório: precisava registrar aquela paisagem ímpar e postar neste Blog. Entretanto, ou meu aparelho não tira fotos com a melhor qualidade, ou então é necessário equipamento mais sofisticado para retratar fielmente os raios de sol com todas as suas nuances coloridas, ao fim de uma tarde excepcional como aquela. De qualquer forma, a foto está postada a seguir (se alguém estiver lendo por favor acredite: a imagem real era infinitamente mais impressionante do que minha reles câmera conseguiu captar):



Fui para a escola de programadores à noite já bastante esgotado pela rotina do serviço. O assunto estudado por mim no período da manhã foi extensamente tratado pelo nosso instrutor em sala de aula: elaborou muitos exemplos, esquemas e raciocínios diferentes do que estava na apostila - obviamente que essa é uma é uma iniciativa ótima da parte dele no intuito de proporcionar uma formação mais ampla e efetiva aos futuros programadores. Seria impotante que todo bom instrutor ou professor cultivasse uma atitude pedagógica semelhante, no sentido de aprimorar cada vez mais o processo de aprendizagem, solidificando a profundidade dos conhecimentos em cada aluno. Mas o fato é que eu estava mesmo exaurido mentalmente, de modo que experimentei breves "apagões", ou micro-cochilos a certa altura na aula.

Caminhava a passos lentos e arrastados de volta ao lar, na solidão escura e fria das onze horas e meia da noite de junho. Um tanto cansado é verdade, mas com um sentimento interior de ter construído vitoriosamente o dia que então se encerrava.

terça-feira, 12 de junho de 2012


11 de junho de 2012, segunda-feira.
Despertei por volta das oito e meia e tomei minha ducha gelada conforme meu costume matinal. A uma temperatura de cerca de 15º ou 14º numa manhã de junho, descrevo a sensação do jato de água fria que atinge meu rosto e o corpo todo como milhões de microagulhadas a cada milímetro de pele, um choque de 220 volts em cada minúscula célula do tecido epitelial. Pode parecer uma prática um pouco masoquista, mas o fato é que estes chuveiros gelados matinais me ajudam a despertar definitivamente, e com energia, para o dia novo que tenho a enfrentar diante de mim. Schopenhauer, segundo a linha de pessimismo que dava tom a seus discursos, aconselhou que seus leitores engolissem um sapo todas as manhãs ao levantarem da cama, como forma de garantir que nada de mais repugnante que isso poderia lhes acontecer no decorrer daquele dia. Devo admitir que há em mim certa faceta Schopenhaueriana, mas não é esta a razão que motiva minhas gélidas duchas matinais. Bem, pelo menos não exatamente.
Apesar de ter levantado cedo o suficiente para estudar durante uma hora antes de partir para o trabalho, encontrava-me ainda um pouco indisposto e sem força de espírito para fazer isso – mesmo após meu “banho escocês”. Ocorre que a dor de cabeça me incomodava ainda como resultado da ressaca pelos abusos de ontem; somando-se ao fato de um generalizado desânimo e diminuição da credibilidade em mim mesmo inspirados pelas polêmicas de ontem. Além do mais, era necessário chegar um pouco mais cedo ao trabalho hoje (para compensação de horas de atraso na semana anterior). Aprontei-me e fui de boa vontade ao trabalho, sentimento meio atípico para uma segunda-feira subsequente a um feriado prolongado. Talvez inconscientemente eu soubesse que seria bom estar entre colegas de cartório, escutando as piadas do César ou do Leandro, ou compartilhando meus incômodos interiores com a amiga Rita ou a adolescente Gabriele, que apesar de pouco vivida, tem uma percepção bem parecida com a minha a respeito dessas questões de superficialidade nos julgamentos; noutras palavras, valorização irrefletida de alguns seres humanos em detrimento de outros, na qualidade de "melhores", com base em parâmetros do tipo "vitoriosos" (em contraposição aos que receberam a marca dos "fracassados") . Não consegui me liberar tão fácil desse mal-estar da tarde de domingo, que me acompanhou ainda durante uma boa parte no decorrer do dia de hoje.
No cartório, temos por hábito que o aniversariante traga bolos, salgados ou quaisquer guloseimas para celebrar junto dos colegas durante a tarde, numa pausa agradável e descontraída após o retorno de todos do horário de almoço, no ambiente de trabalho. Numa tentativa de melhorar minha “ecologia interior”, decidi num ímpeto oferecer meu melhor, e aproveitei minha hora de almoço para ir até à Italianinha, perto de onde moro, para comprar uma ciabatta especialmente deliciosa, como só mesmo na Italianinha se pode encontrar. Escolhi o sabor de tomate seco, meu preferido e também dos meus colegas. Caminhei de volta para a região central já com a ciabatta em mãos; dei uma rápida passada na panificadora Santa Teresa que fica bem próxima ao prédio da repartição, comprei uma torta de morango que parecia deliciosa (eu não comi, por não ser pessoalmente chegado a doces – as meninas depois me disseram que a torta estava excelente), além de um bolo “molhado” de abacaxi e um garrafão de dois litros de guaraná. Com todo o volume de sacolas em mãos, atravessei o viaduto Paulina e adentrei o prédio.



Tivemos uma tarde bastante animada entre colegas; é sempre clima de festa quando um de nós leva qualquer coisa para degustar em conjunto no período da tarde. Particularmente aprecio muito esses momentos, pois percebo que ocorre um interessante processo de desconstrução:  chefes deixam de ostentar posição de chefes, funcionários, estagiários, oficiais de justiça ou gente do INSS, todos esquecem do trabalho e passam a extravasar as nobres futilidades que nos fazem humanos:  piadas de bom gosto ou de mal gosto, palavrões, brincadeiras, zombarias e assuntos pornográficos formam uma verdadeira catarse entre todo o grupo de trabalho. Achei bastante proveitoso este meu especial investimento nessa comemoração atrasada de meu aniversário; as pessoas comeram, riram, descontraíram e se divertiram – e também comeram muito, é claro. De minha parte quase não comi, por não ser grande apreciador de sabores doces. Mas comi um bom e saboroso pedaço da ciabatta de tomate seco. Finalmente voltei a me sentir bem por inteiro, esquecendo-me dos sentimentos de melancolia e angústia existencial que carregava no coração desde a tarde de ontem. Tive um ótimo dia de trabalho até o final do expediente, e pude sentir que esses novos bons auspícios eram compartilhados por todos. Experimentei um sentimento de profunda gratidão à minha vida, àquilo que construí para mim em termos de relações com as pessoas, reputação e autenticidade como homem. Meu senso de amor próprio mostrou-se recuperado, de volta a seus patamares normais. Senti-me profundamente grato.
Como trabalhei até mais tarde, não pude ir à academia (estava decidido a não ir, de qualquer forma, por ainda experimentar certa debilitação física e enxaqueca como herança do exagero de ontem na Braugarten). Voltei pra casa, liguei o PC e gastei um par de horas a redigir para este Blog.

segunda-feira, 11 de junho de 2012

Domingo, 10 de junho de 2012.

Não posso deixar de expressar meu abatimento emocional e frustração ao lidar com certas conversas e situações de família. Ontem (domingo) estive com meus pais no período da tarde quando, por alguma razão, deixei escapar um comentário de crítica - não a ninguém especificamente, senão a uma incoerência do sistema legal brasileiro (pelo menos segundo me parece): por lei, todos os magistrados tem direito a sessenta dias de férias por ano e não a trinta dias somente, que é o normal a todo o resto da população no país. Estávamos eu, meu pai e minha mãe conversando à vontade e sem qualquer constrangimento variados assuntos, quando fiz tal observação quanto ao direito às férias em dobro para os juízes, ou seja, sobre até que ponto essa legislação encontra bases justificáveis. Percebi que minha mãe, de imediato, mudou seu tom de voz para algo mais enfático e eloquente, e dirigiu-me a palavra deste modo: "se eu ainda fosse jovem como você, faria  uma faculdade de direito e me dedicaria totalmente aos estudos para conseguir ser um juiz!" Este comentário de minha mãe, aparentemente uma simples colocação de opinião, despertou-me uma carga emocional nada positiva e um sentimento muito grande de derrota e inferioridade, algo que me tocou profundamente. Já explico o porquê.

Meu primo Afrânio (com quem pretendo viajar no setembro próximo), é juiz de direito há cerca de três ou quatro anos. Lembro-me de quando ele foi aprovado para o cargo de juiz: sempre fui um grande apoiador dele nesse projeto de vida, inclusive dividindo com ele meu apartamento em São Paulo para que ele pudesse passar um ano no curso de aperfeiçoamento em Direito localizado nas redondezas. Até hoje este meu primo é imensamente grato por todo o apoio que lhe ofereci; trata-me como um verdadeiro irmão - e para mim, somos irmãos de fato. É um dos seres humanos mais admiráveis que já conheci nesta vida, não pela conquista ou status profissional, mas por continuar sempre sendo a pessoa simples que conheci em Manaus, caminhando entre as pessoas do bairro usando bermuda e sandália de dedo, conversando com todos de igual para igual independente de classe, religião, origem, cor etc. Mas enfim, voltando à questão do dia em que se soube que ele havia sido aprovado para juiz: minha mãe ligou para mim, com um tom de voz um bocado estranho, algo que transmia uma atmosfera meio que carregada. Parecia a voz de quem acabava de vir de um funeral. Ela disse: "Gláucio, ficou sabendo que o Afrânio passou no concurso para juiz?", ao que respondi entusiasmadamente: "Soube sim, mãe! Graças a Deus, ele lutou tanto por isso e agora, depois de anos de batalha, finalmente conseguiu! Estou tão feliz com a conquista do meu primo que sinto como se fosse uma conquista minha também!". Minha mãe, no mesmo sombrio tom de voz ao telefone, respondeu-me numa mistura de frustração e sarcasmo: "É... Ele sim, foi alguém que soube sonhar grande na vida!". Fiquei ao mesmo tempo chocado e decepcionado ao ouvir minha mãe falar daquele jeito quando de nossa primeira conversa sobre a vitória pessoal do Afrânio. Bem, acontece que desde então, foram várias as ocasiões em que minha mãe me atira no rosto frases como esta de ontem, ou seja: "você deveria cursar Direito, estudar para um alto cargo público", ou então "por que você não estuda pra ser juiz?" Ora, de profissão, sou apenas um mero escrevente técnico do tribunal de justiça em São Paulo. Salarialmente falando, um juiz de direito deve ganhar cerca de quatro ou cinco vezes os meus proventos. Nos últimos tempos tenho aprendido sobre o contentamento (que não se confunde com o conformismo comodista), o desprendimento e o valor às coisas verdadeiras e perenes na vida de uma pessoa. Saber tocar um instrumento musical (tenho-me dedicado ao violão clássico), ler livros interessantes, praticar esportes, valorizar bons filmes; mas acima de tudo construir um modo de viver que seja gratificante para mim e ao mesmo tempo benéfico aos que me cercam. Nestas alturas de minha vida dificilmente serei alguém que "venceu na vida" da mesma forma que o Afrânio; ele seguiu o caminho dele e eu sigo o meu. Sinto-me profundamente angustiado e frustrado diante de comparações como essas que minha mãe costuma fazer. Disse a ela que o mais importante talvez fosse que se preocupasse em ter um filho feliz, não necessariamente um filho juiz. Disse ainda que essas comparações entre mim e meu primo vem ocorrendo com certa regularidade desde que ele passou no concurso, e que esse tipo de comentário não me faz sentir nada bem. Claro, minha mãe não se retratou e nem tampouco pediu desculpas (pais e mães jamais pedem desculpas a filhos - bem, pelo menos não os meus). Entrei num estado de espírito um tanto aflitivo e angustiante, como há muito tempo eu não experimentava. 




Em minhas mãos, a primeira Paulaner da noite de domingo
Resolvi ir à Braugarten, no shopping próximo. Geralmente prefiro tomar chope, mas o garçom me falou sobre a promoção de comprar três garrafas de Paulaner (cerveja de Munique), e ganhar de brinde uma caneca com o logo da cerveja. Cada garrafa pelo custo de R$ 18 (9 USD). Aceitei a proposta e fui tomando as cervejas com acompanhamento de uma porçãozinha de apetitosos pastéis de queijo. Uma delícia de bebida sem dúvida; já havia tomado Paulaner quando viajei em 2010, mas desde então não mais voltei a provar esta gostosa e encorpada cerveja importada. O fato é que não bebi somente as três garrafas, acabei passando da conta e pedindo mais três: além de ser realmente de incomparável sabor a bebida, achei interessante ganhar duas canecas como brinde, não apenas uma. Apesar de ter tomado bem devagar, a verdade é que seis cervejas é uma quantidade grande de álcool, realmente muito grande. No meio de minha caminhada para casa, ainda perto do shopping, agachei-me próximo a um morador de rua deitado na calçada à frente de uma loja fechada. Ele dormia, mas despertou e fitou seus olhos nos meus, tentando fazer sentido do que acontecia. Estendi a mão e lhe ofereci uma nota de R$ 20 (10 USD). Ele sorriu e me agradeceu bastante, e me abençoou. Sorri-lhe de volta.
Ao chegar em casa percebi que uma das canecas havia rachado provavelmente por meu descuido ao entrar no prédio, quando a sacola com as duas canecas bateu de leve no portão.


Tomei meu comprimido de rivotril e bebi bastante água - afinal, eu sabia que havia exagerado, e muito, na quantidade de bebida ingerida. Começava a realmente passar mal, o conhecido sintoma da cabeça "girando" e do enjôo extremo. Corri para o vaso sanitário e vomitei um pouco, o que me proporcionou a sensação de certo alívio. Há muitos anos que não experimentava um mal-estar alcoólico dessa natureza. Tomei uma ducha gelada - a noite estava razoavelmente fria, cerca de 14º - dizem que água gelada é um bom remédio para quem tomou mais álcool do que deveria. Joguei-me na cama de qualquer jeito e aos poucos fui adormecendo. Sentia-me um bocado nauseado, e abatido por completo, tanto no corpo quanto na alma.

Por que combater então?
Porque é preciso. Porque o contrário seria indigno. (André Comte-Sponville)
The Downtrodden, de Kollwitz. 1900.